segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Protected in Paradise


Capítulo 4 - He, again?


Justin Bieber P.O.V
Lá estava eu na porta daquela mansão gigantesca. Ainda no mesmo dia. Quando que eu poderia imaginar que voltaria ali em menos de sei lá, seis horas? Os seguranças na portaria só me deixaram entrar depois de serem autorizados. Enquanto passava pelo jardim eu só conseguia pensar no que faria se ela estivesse ali agora, imagina só entrar e dar de cara com ela? Meu Deus, isso estragaria tudo.
Coloquei os pés a centímetros da porta e criei coragem pra tocar a campainha mas antes que isso fosse possível uma mulher abriu a porta, ela tinha uniforme de empregada e carregava nos lábios um largo sorriso.
– Sr. Bieber? – perguntou sorridente.
– Sim. – assenti retribuindo o sorriso.
– O Sr. Mackenzie está a sua espera no escritório. – ela me deu passagem e eu entrei – É a esquerda.
Assenti e caminhei até a porta do escritório. Foi impossível deixar de notar aquela luxuosa sala de estar. Fala sério, aquilo era de longe melhor que a minha. Candy é uma pessoa muito sortuda, quer dizer Candice. Porra Justin, você precisa ser profissional.
Abri a porta e o vi sentado em uma poltrona atrás de uma mesa. O escritório era incrivelmente organizado e cheio de certificados conquistados por ele.
– Com licença Sr. Mackenzie. – disse ainda na porta.
– Entre. – pediu ele, gentilmente – Pode se sentar ai.
– Claro. – fiz o que ele mandou.
– Justin Bieber, certo?
– Sim, senhor.
– Tive ótimas recomendações sobre você.
– Isso é bom.– sorri levemente.
– Apesar de ser muito novo... vinte um não é Bieber? – assenti e ele continuou – Acho que isso será mais fácil pois quero que seja tudo diferente dessa vez.
– Diferente? – estava realmente curioso.
– É, não quero que a minha filha saiba que tem alguém na cola dela.
– Desculpe Senhor, eu não entendi...
– Bom, eu quero que você conheça ela em um desses lugares que ela vai, quero que fiquem amigos, se aproxime dela, saia com ela, fique com ela sempre sem que ela saiba que você é um segurança.
– Por que?
– Por que é a única maneira dela se controlar. – ele arqueou a sobrancelha e apoiou os cotovelos em cima da mesa – Ela não é qualquer garota, ela é completamente descontrolada, essa garota só me traz problemas, ela é rebelde demais.
– Entendo. – não fazia ideia do que dizer.
– Mas apesar de tudo é a minha filha, independente de suas insanidades eu a amo e quero ela protegida, não quero ela metida em confusões e principalmente manchando o meu nome, eu tenho que zelar pela nossa família, você mesmo sabe o quanto isso é importante. – ele falou prepotente, mas é claro que era importante, a imagem de família perfeita é o primeiro quesito para um político.
– Posso fazer isso. – garanti sem ter certeza da minha afirmação.
– Ótimo, vou descobrir os lugares que ela frequenta e entrarei em contato, outra coisa ela ainda estuda, está no ensino médio, quero que a busque na escola como um amigo, quero que cuide bem dela, eu quero que você conquiste a confiança dela entende? Eu preciso muito disso.
– Eu vou tentar. – falei num suspiro.
– Eu não quero que você tente, eu quero que você faça. – ele exigiu– E o salário é ótimo, eu garanto.
– Tenho certeza disso Senhor.
– Por favor me chame apenas de Thomas. – ele pediu acendendo um charuto.
– Certo, Thomas.
– Olha você pode começar amanhã, sei que é Domingo mas eu tô te dizendo ela é maluca, sai até na segunda-feira ela sai. E cuidado pra ela não descobrir se não está tudo ferrado. Preciso que seja muito profissional Senhor Bieber. – exigiu ele, dando uma tragada.
 Como eu ia ser profissional? Era algo que eu tentava descobrir.
– Claro Senhor, quer dizer, Thomas.
– Ótimo. – ele sorriu satisfeito – Vem, vou acompanha-lo até a porta.
Ele se levantou e eu fiz o mesmo. Caminhamos para fora do escritório enquanto ele me falava de um salário de  quinze mil dólares ou algo assim. Fiquei boquiaberto, tudo bem que eu ganhava cinco vezes mais como agente do FBI mas ainda assim era muita coisa. Ele me deus várias instruções, me contou de algumas trapalhadas da Candy, digo, Candice.
Essa menina é muito peralta. Bem que eu desconfiei, ela era tão espontânea e agia loucamente hoje de manhã. Pelo menos ela não mentiu seu nome apesar de não ter dito seu sobrenome. Parecia que a família dela era algo de que ela não gostava de falar. Assim que entramos na sala um garoto alto e loiro estava saindo apressadamente e parecia irritado.
– Aonde você vai filho? – perguntou Thomas antes que ele passasse pela porta. O garoto se virou para encarar nós dois e me olhou curioso pra saber quem eu era.
– Vou atrás daquela peste! – falou irritado.
– Eu não acredito que a Candy saiu de novo. – agora era Thomas quem estava irritado.
– Com a Stacy, isso já está ficando fora de controle.
– Você sabe aonde ela está?
– Em uma festa na casa da Sommers.– ele respondeu quase saindo.
– Como descobriu que ela estava lá?
– Consegui fazer a Stacy me dizer, ela não resiste ao meu charme.
– Você é escroto! – resmungou  Thomas em um tom desprezível,  o que realmente me surpreendeu – Ela é sua prima.
– Continua sendo mulher, agora dá licença.
– Não precisa ir, dá o endereço que ele vai. – ele se referia a mim.
– Ele? – o garoto me encarou confuso.
– É o novo segurança dela. Mas ela não vai saber disso.
– Não vai dar certo.– ele sibilou mais irritado que antes.
– Eu garanto que vai, faço muito bem o meu trabalho. – falei deixando Thomas surpreso e despertando a ira de seu filho.
– Collin por favor, dá logo esse endereço.
– Pega. – ele veio até mim e colocou um papel na minha mão – Finja que conhece uma garota chamada Sophie. Eu ligo pra ela e aviso.
– Tá certo. – abri um breve sorriso.
– Espera. – ele disse assim que coloquei os pés pra fora, me virei para encará-lo – Cuida bem da minha irmãzinha.
Assenti com um olhar que demonstrasse segurança e ele balançou a cabeça para que eu seguisse em frente. Passei pela porta e peguei meu carro que estava na frente do portão. Tinha vindo de Ranger Rover pra não chamar muita atenção. E lá estava eu dirigindo para uma festa de adolescentes loucos e rebeldes na missão de proteger uma garota maluca. Talvez não tão maluca assim, pelo menos eu já conhecia ela e outra coisa, tinha absoluta certeza de que era ela a garota mais linda que meus olhos já viram.
Candice Mackenzie P.O.V
A Festa estava uma loucura, não poderia ficar melhor. Math estava uma delicia, ele é meio que o meu 'ficante', foi com ele que eu quase tive a minha primeira vez. Ele força pra caramba e é quase impossível resistir, ele é um cara muito legal apesar de ser safado. Gosto dele, a gente se diverte pra caralho. Mas quando ele força muito a barra eu sinto medo dele, especialmente quando ele está sobre o efeito de drogas, ele também é muito obsessivo. Ele é amigo do Noah – outro gostoso – a Stacy pega ele e eles estão sempre em todas o que facilita a nossa entrada.
 Aliás as pessoas me deixam entrar simplesmente por eu ser a filha do Prefeito mas eu não gosto de que elas saibam disso. Bom, o Math tem dezeneve anos e é da minha sala, sim ele já repetiu de ano duas vezes. Noah tem a mesma idade e também repetiu. Não sei como ainda não aconteceu comigo, fala sério eu não faço porra nenhuma naquela escola, quer dizer, bagunça eu faço pra caramba.
A música era estrondosa, haviam garotas semi nuas na piscina, tinham até adolescentes transando no jardim, todos os tipos de bebida que se pode imaginar, rolava droga e cigarro de todo tipo. Eu particularmente não mexo com isso, só bebo mesmo. Tudo bem, ás vezes eu fumo cigarro,mas é só as vezes mesmo. Math injeta heroína direto e eu já tentei fazer ele parar mas não adianta nada. Eu estava sentada no colo dele enquanto nós nos beijávamos loucamente. Stacy fazia o mesmo no sofá ao lado, sofá que estava quase na beira da piscina.
– Porra você é muito gostosa! – ele sussurrou apertando minha coxa.
– Eu sei disso baby.– mordi seu lábio inferior.
– Me deixa louco... – ele fechou os olhos e passou sua língua no meu pescoço em seguida chupou aquela região com brutalidade, aquilo foi muito excitante. Juro que fiquei molhada apenas com aquele chupão. Arranhei as costas dele e ele apertou minha coxa com mais força enquanto descia sua boca para os meus seios dentro da minha blusa. Eu estava com uma roupa legal de usar a noite , gostava do meu estilo e aquela blusa que eu escolhi facilitou muito o que ele estava começando a fazer.
– Cof Cof ! – exclamou Stacy estragando todo o clima, ele continuou procurando pelo bico dos meus seios mas eu sai de cima dele um pouco assustada – Vamos ao banheiro comigo?
– Qualé!– Math reclamou jogando a cabeça pra trás e me puxando de volta.
– Eu já volto amor! – garanti com um sorriso me soltando dele.
Stacy o encarou feio, ás vezes ela diz que não gosta dele por que ele força demais comigo mas eu sei que eu o provoco e afinal ele é homem. Esse é o meu problema eu provoco demais e isso atrai homens errados, safados e idiotas. Nós estávamos andando no meio de toda aquela gente, era cada maluco que eu até me sentia normal. Pegamos um drinque quando passou um garçom, um garçom muito gostoso por sinal. Stacy deu um tapinha na bunda dele quando ele se virou  e então ele sorriu safado. Estávamos quase entrando na casa quando a Stacy arregalou os olhos em direção a entrada, aliás todos ali pareciam olhar para aquele lado.
– Ai meu coração! – ela se apoiou em mim de queixo caído.
– Meu Deus, o que foi? – disse me virando parar ver o que era tão interessante assim.
Fiquei completamente sem expressão ao notar que era ele. Era ele. Caralho era o Justin.Justin Bieber. Parece que ele realmente tem os mesmos gostos que eu, está em toda festa que eu vou. Pelo menos desde ontem. Ele estava muito lindo, tipo muito lindo mesmo. Ele ganhava de todos aqueles garotos sem pensar duas vezes, meu Deus ele deve ser o garoto mais lindo que eu já vi na minha vida.
As garotas o olhavam com desejo e os garotos com raiva. Até a Stacy o devorava com os olhos. Isso me irritou. Logo a Sommers apareceu, será que ela conhecia ele? Essa vadia.
– Eu estou sem palavras. – Stacy mordia os lábios enquanto falava sem desviar os olhos dele.
Ok, aquilo realmente me deixou com raiva. Coloquei minha taça na mão dela e corri para aonde ele estava conversando animadamente com a Sommers.
Stacy finalmente caiu em si sem entender o que eu estava fazendo. Ela devia estar achando que eu tinha pirado de vez em ir tirar o prato principal da casa que sempre fica pra Sommers quando a festa é na casa dela. Ela é louca no Math e me odeia por ele preferir ficar comigo. Mas eu sabia muito bem como colocar ela lá no chinelo e ia fazer isso agora mesmo. Cheguei aonde os dois estavam pulando no pescoço do Justin que se assustou ao me ver mas logo retribuiu o abraço. Porra que menino cheiroso do cacete! Sommers me olhou feio.
– Candice! – ele exclamou com AQUELE sorriso.
– Não acredito que está aqui!– permaneci com os braços envolta de seu pescoço – Conhece ela?
– Na verdade acabei de conhecer. – explicou– Fui convidado pela...Sophie.
– Ah, ela é amiga do meu irmão sabia? Ela me odeia.
– Todo mundo te odeia. – disse a intrometida da  Sommers com aquela cara de vagabunda.
– As garotas me odeiam.–  corrigi – Elas querem muito ser igual a mim, sabe como é.
– Argh! Depois a gente conversa Justinzinho, eu não suporto essa garota.
Vi ela revirar os olhos.
– Ah, tudo bem. – ele abriu um breve sorriso – Foi um prazer Sommers.
– Acredite o prazer foi todo meu. – ela lançou a ele um olhar 'sedutor' e saiu rebolando.
– Não gosto dela. – admiti depois que ela saiu finalmente soltando ele.
– Por que?
– Fala sério, ela é uma taba de tão sem sal.
– Coitada. – ele riu – Ela sabe dar ótimas festas.
– Bom isso é verdade. – concordei – Quem dera meu pai me deixasse fazer isso um dia lá em casa.
– Por que ele não deixaria? Você tem  dezenove anos ué. – ele arqueou uma sobrancelha confuso, só que não né, eu tenho apenas dezessete e esqueci de te contar que sou a filha do prefeito dessa cidade.
– Mas eu ainda respeito as decisões dele. – murmurei tentando parecer uma garota responsável.
– Nossa, que garota mais obediente, aprecio muito isso sabe.
– Serio? – meus olhos brilhavam encantados com sua beleza – Meu pai diz que sou a melhor filha do mundo. – ok aquilo era definitivamente uma mentira.
– Ai eu dou valor! Assim é pra casar! – ele estava rindo.
– Vamos lá pra dentro? – sugeri entrelaçando meu braço em sua cintura, só queria ir pra longe do Math e de todo mundo.
– Claro senhorita! – concordou ele acompanhando meus passos.

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Continua...?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Protected in Paradise


Capítulo 3 - Holy Shit


Candice Mackenzie P.O.V
Passei pelo portão daquela maldita mansão e corri dando pulos de alegria para dentro de casa. Porra, aquele cara era um gostoso, ele tinha que me ligar. Tinha que me ligar!
Justin Bieber!
 Eu repetia várias vezes seguidas na minha cabeça. Ainda queria matar a Stacy por ela ter me deixado sozinha na boate, mas naquele momento eu não conseguia odiá-la por ter feito isso.
Meu sorriso se desfez rapidamente assim que entrei em casa e avistei meu pai sentado na sua velha poltrona com um jornal nas mãos. Nossa, eu ia ter que ouvir um monte. Eu basicamente fugi de casa com a minha prima maluca e não voltei nem pra dormir. Eu fui para uma boate proibida para menores, fiquei bêbada, dancei loucamente na frente de um monte de safados e dormi na casa de um desconhecido. Infligi todas as regras.
Suspirei esperando pelo sermão que com certeza acabaria em uma discussão feia e um monte de seguranças no meu pé o dia inteiro sem contar com um provável corte no cartão de crédito e semanas de castigo.
Mas ele permaneceu quieto, levantou o jornal tapando seu rosto e mostrando decepção. Ok, isso é mil vezes pior do que ouvir ele me falando merda por horas. Mas já que ele quer fazer pirraça, tudo bem. Não disse uma palavra e sai correndo escada a cima até o meu quarto.
Joguei-me na cama toda sorrisos me lembrando daquele par de olhos castanhos completamente hipnotizantes. Ah meu Deus, ele era tão lindo. Mesmo sendo virgem, conseguia imaginar várias fantasias sexuais com ele. Uma vez eu quase cheguei lá, mas percebi que era loucura. No momento sexo é a única coisa que eu não faço. Eu quero é curtir a vida e honestamente, daria tudo pra ser ao lado daquele gostosão.
– Boa tarde menina! – exclamou Zoe entrando no quarto, ela é a minha governanta e sempre me acoberta apesar de que ás vezes isso foge do controle dela.
– Zoe! – gritei pulando em seu pescoço – Ah eu estou tão feliz!
– Você quase nos matou de susto, onde estava? – ela se assustou com o meu humor exagerado.
– Me divertindo por ai. – disse me sentando na cama – Mamãe está muito brava?
– Ela está irritada, seus pais brigaram por que você fugiu de novo e ela saiu cedo e ainda não voltou.
– Droga! – lamentei – Meu pai é muito chato.
– Não Candy, dessa vez você passou mesmo dos limites. Além de sair sem avisar não dormiu em casa, faz ideia de como seus pais ficaram preocupados?
– Eu perdi aquele iPhone, sabe cadê o outro?
– Você tem uns vinte iPhones. – ela pegou o cesto de roupas sujas.
– Que exagero Zoe. – forcei um pequeno sorriso – São só cinco e eu quero aquele que já tem chip, traz pra mim? Eu estou esperando uma ligação a qualquer momento.
– Não vai se meter em encrenca de novo, vai? – ela franziu a testa preocupada.
– Pelo contrário, eu preciso agir como uma pessoa culta, completamente controlada.
– Você quer dizer, uma pessoa normal?
– Qual é Zoe, eu sou normal. – reclamei.
– Normalidade é o que não falta em você. – ela deu risada, podia ser menos irônica.
– Eu sendo ou não agora eu preciso ser, não posso fazer besteiras. – ela ergueu a sobrancelha, confusa – Deixa pra lá, você não vai entender Faz um favor? Traz o meu celular e um café da manhã delicioso.
– Mas Srta. Mackenzie já passou da hora do almoço.
– Então traz qualquer coisa Zoe! –  esbravejei irritada e corri para o banheiro.
Precisava de um banho.
Entrei de baixo do chuveiro e deixei com que a água levasse todo o estrago feito no meu corpo na noite passada. Principalmente o cheiro do álcool que era agonizante. Lavei o meu cabelo que estava uma bucha e enquanto fazia tudo isso me lembrava daquela boca em formato de coração e do dono dela. Meu Deus, como eu queria beijar ele.
Justin, Justin. Vinte um anos. Sensato. Educado. Carinhoso. Lindo. Gostoso. Eu preciso vê–lo de novo, eu preciso mais que tudo ver aquele garoto.
Fiquei uns quarenta e cinco minutos no banho, depois me enrolei em uma toalha branca e usei outra para cobrir meu cabelo. Ao sai do banheiro dei de cara com a louca da Stacy deitada na minha cama mexendo no notebook.
– E ai sumida! – ela riu sem desviar os olhos da tela.
– Sua idiota! – resmunguei caminhando para o meu closet.
– Que foi? – questionou num tom alto para que eu pudesse ouvir.
– E você ainda pergunta? – vesti minha calcinha – Minha mãe saiu de casa e não voltou até agora, meu pai não me disse uma palavra e a Zoe disse que eles brigaram.
– Ah qual é, eles sempre fazem isso.
– Stacy não tem graça. – coloquei um shortinho.
– Tá muito chata sabia? Não mandei você ficar lá, aliás, aonde você dormiu?
– Você nem vai acreditar! – falei sorrindo após vestir minha blusa do Bob Esponja e voltando para o quarto, me sentei ao lado dela na cama – Eu fiquei dançando e de repente você sumiu, ai um cara lá tentou me agarrar e eu sai correndo meio descontrolada ai quando cheguei lá fora dei de cara com um carro, eu cai no chão na hora e então um Deus grego me ajudou a se levantar, eu estava bêbada, ele tem uma Ferrari Branca perfeita.
– Mentira! – ela tampou a boca chocada.
– Juro. – afirmei rindo ao me lembrar da cena – Ele me levou pra casa dele, cuidou de mim, me colocou pra dormir, beijou minha bochecha quando eu fingi que estava dormindo... Ah, e quando eu acordei vi que era real, o apartamento dele é lindo Stacy, tipo é muito chique sabe, a família dele é tão linda, mas tipo eles moram no Canadá, eu fui acordar ele, sabe como eu sou né.
– Eu tô chocada. – sorriu largamente – Como é o nome dele?
– É Justin. – eu tinha nos lábios o meu melhor sorriso – Eu o vi só de cueca, ai meu coração, ele é tão gostoso, nossa senhora Stacy.
– Você é louca! – ela quase gritou rindo muito – Nem conhece ele direito.
– Não interessa, é como se eu conhecesse. Olha, ele tem vinte e um anos, pensa só, mas ele deve ter me achado uma louca, eu quase destruí a cozinha dele tentando fazer um café da manhã pra impressionar.
– Você o que? – ela caiu pra trás gargalhando alto.
– Tô falando sério. – eu ria tão alto quanto ela – Depois ele me ajudou a limpar e nós comemos sucrilhos, acredita que ele gosta? Bom eu comi a metade do dele também por que estava morrendo de fome.
– Sua obesa! – ela tacou uma almofada na minha cara.
– Eu dei o meu número pra ele. Será que ele vai me ligar? – encarei-a que estava sem expressão.
– Se ele vai te ligar eu não sei, mas olha, acho que temos uma garota apaixonada aqui.
– Nada a ver. – taquei a almofada de volta nela – Não viaja tá, só o achei gostoso pra caralho.
♂
A sem graça da Stacy ficou aqui em casa até às 16h e só foi embora por que se aproveitou quando eu fui ao banheiro. Não queria ficar sem ela, ainda mais que teria festa hoje e eu não poderia ir. Queria obrigar ela a ficar comigo, queria muito. Era sábado e não tinha nada pra fazer, eu não queria sair do quarto e enfrentar aquelas pessoas escrotas daquela casa. Olhava varias vezes para o celular em minhas mãos, mas nada dele ligar, caramba, por que ele não liga?
– Você está ai não é peste? – indagou Collin, meu irmão mais velho parado na porta.
– Já ouviu falar em bater antes de entrar? – coloquei o celular na escrivaninha do lado da cama.
– Desculpa mas a princesinha da casa ainda não tem campainha no quarto. – disse ele debochado balançando a cabeça.
– O que você quer idiota?
– Saber por que você saiu ontem e só voltou hoje.
– Não é da sua conta. – cruzei os braços emburrada.
– Nada disso mocinha, você saiu daqui com a Stacy, ela voltou duas horas da manhã e você só apareceu aqui agora à tarde. Onde é você estava Candice? –  ele estava sério e autoritário, ás vezes –  sempre – ele acha que é meu pai, fala sério.
– Eu já disse, não é da sua conta.
– Fala logo porra! – gritou perdendo a paciência. – A mamãe e o papai brigaram por sua culpa Barbie!
– Se nem o meu pai me perguntou onde eu estava acha mesmo que eu vou te dizer?
– Quando ele te encher de seguranças não diga que eu não avisei e quer saber? Eu vou fazer de tudo pra isso acontecer.
– Segurança nenhum nunca conseguiu me impedir de fazer alguma coisa. – sorri sínica dando uma piscadinha.
– Vamos ver se vai ser assim agora, eu juro Candice que se eu ver você saindo mais uma vez eu vou socar a sua cara sem pensar duas vezes. – ele ameaçou deixando bem claro cada palavra.
– Vai mesmo?
– Vou! Isso antes de eu ir até a festa que você estiver e te tirar de lá pelos cabelos na frente de todos aqueles seus amigos malucos.
– Eles não são malucos, você que é careta!
– Careta? – ele riu fraco – Pelo menos eu não deixo estragos por onde piso.
– Argh, eu odeio você. – taquei um travesseiro nele furiosa.
– Está de castigo por um mês LALALA ! – ele cantarolou rindo e saindo correndo do meu quarto antes que eu conseguisse acerta-lo com outro travesseiro.
Menino idiota cara! Por que ele sempre tem que se intrometer na minha vida? Caramba a vida é minha e o que acontece nela só diz respeito a mim. Que raiva, que ódio desse garoto irritante. De castigo por um mês? Ele que pensa, eu estou tão feliz hoje que posso muito bem sair de novo. Isso só me deu mais coragem pra sair essa noite e me divertir sem se preocupar com esse povo sem graça, careta e antigo que só sabe ficar dentro de casa e dizer que não é seguro pra nenhum de nós ficarmos andando sozinhos na rua. Peguei o celular e disquei o número da Stacy.
– Vagabunda! – berrei quando ela atendeu– Como você me deixa aqui sozinha?
– Candy eu não quero ficar em casa em pleno sábado a noite.
– E quem disse que eu quero? – falei maliciosa.
– Nem fodendo eu vou sair com você hoje, é melhor você ficar em casa.
– Não é justo tá?
– É sério! O Collin já ligou aqui em casa e falou um monte pra minha mãe por causa de ontem.
– Viado.– resmunguei fechando o punho.
– Bom isso eu tenho certeza que ele não é. – ela falou rindo, devia tá com uma cara de safada.
– Cala a boca, só de imaginar você e o meu irmão transando na minha cama eu sinto vontade de vomitar.
– Mas você trocou de cama depois daquele dia. – ela riu.
– E você queria o que? Mas agora voltando ao assunto eu vou dar um jeito de vazar daqui. Liga pro Math e combina tudo com ele. Eu não tenho o número dele nesse chip novo.
– Math? Mas e o Justin amor da sua vida?
– Ele não me ligou. – disse desanimada.
– Math é um gostoso, vou combinar com ele.
– Beleza, vou me arrumar.
Desliguei o celular e sorri vendo a foto minha e da Stacy em um porta retrato na minha penteadeira. Eu amo aquela palhaça e algo me dizia que seria uma longa e maravilhosa noite de sábado.
Justin Bieber P.O.V
– Chegou na hora Drew? – disse Chaz rindo surpreso quando me viu entrar na sala ás 16:00h em ponto.
– Milagres acontecem. – demos um toque de sempre –  Estou num porre danado.
– Imagino que nem dormiu essa noite... – ele sorriu malicioso.
– Por que acha isso? – falei com a maior cara de inocente e de fato eu não tinha transado com ninguém a não ser ter dado um beijo na bochecha de uma garota linda de dezenove anos que foi parar no sofá da minha casa.
– Por que você é o Bieber. – ele afirmou enquanto ligava o data show.
E isso era realmente um bom motivo. Eu costumo pagar vários programas com as mulheres mais gostosas, isso quando elas mesmas não suplicam por sexo. Ser um agente do FBI às vezes pode ser muito exaustivo e nada melhor que sexo pra aliviar toda essa tensão.
Desde que eu terminei com a Emma que ficou no Canadá com o coração partido nunca mais me apaixonei por ninguém. Eu não queria me envolver e isso é algo certo na minha vida. A maioria dos caras daqui são casados ou tem namorada, mas por algum motivo eu preferia apenas ficar no prazer, sem sentimentos.
Apesar de beber pra caralho, ás vezes fumar e gostar de sair pra festas eu sou um cara bem tranquilo, tenho princípios e quando se trata de trabalho sou estreitamente profissional. Isso é prioridade na minha vida.
– Eu te chamei aqui por que o assunto é muito serio. – Chaz disse deixando em pause a foto de um cara no telão, eu reconheceria aquele homem mesmo a milhas de distância – É oficial, nós realmente achamos que ele esteja por trás de todos esses assassinatos.
– Extorsão? – perguntei sem demonstrar muita surpresa, sempre desconfiei dessa cara, sempre disse isso pro Chaz, mas ele nunca me ouvia.
– Não só Extorsão. – exclamou Ryan, outro amigo que veio do Canadá junto comigo, ele está um cargo abaixo de mim mas é muito competente, é assistente do Chaz. – Como também suborno, fisiologismo, nepotismo, clientelismo, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro até mesmo tráfico de seres humanos.
– Caralho, isso tudo? – estava surpreso, eu jamais imaginei que fosse esse número de acusações.
– É, o cara é um verdadeiro salafrário. Ele faz isso tão bem que eu juro, estou impressionado. – berrou Chaz incrédulo por nunca ter pensando nessa hipótese.
– O que fez vocês chegarem a essa conclusão?
– Um dos inimigos dele nos mandou uma denuncia, achamos que era trote, mas depois recebemos um e-mail com um monte de informações preciosas, tudo se encaixa nós precisamos nos infiltrar de alguma forma na vida dele, precisamos de provas para prendê-lo. – falou Chaz com desejo.
– Se conseguirmos isso nosso departamento vai decolar para o 1° pavilhão, nós seremos invencíveis, nosso salário vai triplicar e nós certamente seremos mais temidos ainda. – explicou Ryan.
Todos sorrimos só de imaginar esse acontecimento. Acontece que o FBI é divido em seis pavilhões, cada um cuida de um, nós somos responsáveis pelos políticos. De simples vereadores até ao próprio presidente. Na lista daqui estamos em segundo lugar perdendo apenas para o pavilhão de Tráfico de drogas, eles estão fazendo um ótimo limpa nos traficantes em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos.
O Sonho do Chaz é que possamos estar em primeiro e ele me agradece muito por chegarmos onde estamos – o que aconteceu depois que eu entrei pra equipe – especialmente depois de resolver o caso do ex-presidente do México. O Cara pegou prisão perpetua, vai apodrecer na cadeia e nunca mais vai ver o sol nascer redondo.
– Como vamos nos infiltrar na casa de Thomas Mackenzie? É uma investigação muito delicada, não vai ser possível sem eu ficar lá por um tempo razoável se eu não tiver acesso ao seu dia a dia, a sua casa né. – estalei os dedos – Não é fácil se infiltrar na casa do prefeito de Jacksonville.
– Isso é fácil. – disse Ryan convencido.
– É? – perguntamos Chaz e eu ao mesmo tempo.
– Eu acabei de receber uma informação importantíssima, era tudo que precisávamos.
– Então diz. – falei desesperado.
– Ele tem uma filha de dezessete anos e parece que ela está dando muito trabalho pra ele. Acabei de saber que ele está à procura de um segurança pra cuidar dela, um bem competente que consiga controlar a garota, dizem que ela é realmente incontrolável apesar de parecer um anjo. Ele já contratou dezenas de seguranças e ninguém foi capaz de cuidar dela, de contê-la.
– E dai? – não entendi o que ele estava tentando dizer.
– E dai Justin que o novo segurança dessa garota é você. – falou Chaz entendendo tudo primeiro que eu.
– Quê? – perguntei chocado. – Eu não sou segurança.
– Faz parte do seu diploma, um agente do FBI pode ser qualquer coisa, o plano é perfeito. Você vai lá hoje, vai conversar com ele e convencê-lo de que você é o melhor segurança do universo. Nós vamos fazer boas recomendações sobre você, já conversamos com a Cia.
– Certo, então eu vou fazer isso. – assenti.
– É claro que vai. – exclamou Chaz – Espero que dê tudo certo.
– Vai dar. – disse convicto.
– Aqui, eu tenho uma foto da garota, vê se não se apaixona tá? Dizem que de anjo é só a cara mesmo. Eu sei que ela é realmente bonita, eu fiquei deslumbrado – ele colocou o pendrive no data show.
– Já tá de olho na menina Ryan. – ri dando um leve tapa no ombro dele.
– É que ela é muito gostosa cara e tem uma cara de princesa que me encantou.
– Que gay. – murmurou Chaz – Deixa de conversa!
– Olha que o prefeito manda cortar teu pinto cara! – adverti e caímos na gargalhada.
– O QUE? – eu disse inexpressivo ao ver a foto da garota na tela.
Puta que pariu, era ela, era a garota que dormiu na minha casa, a garota que eu coloquei pra dormir, aquela que caiu no sono no sofá da minha sala de estar. Eu estava simplesmente inexpressivo. Porra, ela me disse que tinha dezenove anos e por que diabos tinha uma foto dela só de lingerie ali? Eu ia ter que, que vigiar ela, eu estou simplesmente sem palavras.
É, tá tudo confuso, eu não sei o que fazer, o que dizer, eu não sei de nada. Nada.
– Bieber? – Chaz me cutucou– BIEBER!
– Quê? Oi? – eles riram.
– Na boa, apaixonou rápido demais, que isso. – debochou Chaz.
– O nome dela é...
– Candice! – disse ainda encarando aquela foto.
– Mackenzie.– completou Ryan impressionado.
E eu teria que vigiar aquela maluca. Meu Deus, eu não poso acreditar. Por um lado eu bem que fiquei feliz, mas por outro não fazia o menor sentido. É por isso que ela me disse que o pai dela não deixava ela sair de casa, ela era filha do prefeito, ele tinha muitos inimigos, era perigoso. E além do mais ela tem dezessete anos e não dezenove. Pelo que eu percebi ela age como se tivesse cinco.
– Acho que você já pode ir à casa do Thomas. – ordenou Chaz.
Apenas me levantei e assenti com a cabeça saindo daquela sala sem conseguir ao menos dizer tchau. Deus do céu como eu ia proteger ela sem me perder naquele rosto angelical? Como eu ia me manter calmo com uma garota gostosa daquelas ao meu lado? Coloquei as mãos na cabeça e suspirei tentando imaginar o inimaginável.

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Continua..?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

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Capítulo 2 - Open Your Eyes


Justin Bieber P.O.V
– Acorda, acorda! – alguém me sacudia sem parar, caramba, o que está acontecendo? Esfreguei os olhos com as mãos tentando abri-los, pois a claridade do ambiente me incomodava muito – ACORDA!
– Você já acordou? – a garota estava sentada na cama ao meu lado gritando como uma louca.
– Sim! Não tá vendo? Eu não faço ideia de como eu vim parar na sua casa. A gente transou foi?
– Não menina! – indaguei rapidamente me sentando e escorando na cabeceira da cama– Você se jogou na frente do meu carro ontem a noite por isso eu te trouxe pra cá.
– Poxa, a gente não fez nada? – ela era dona de um sorriso maroto, nem parecia à mesma que chorava descontroladamente na noite passada.
– Dormiu bem? – me descobri daquele lençol e me levantei da cama, aquilo era confuso demais.
– Mais que bem, aquele sofá é uma maravilha. – ela virou suas pernas para a direção onde eu estava – O que você acha de eu fazer o café da manhã enquanto você troca de roupa?
– Oh meu Deus! – exclamei constrangido ao notar que eu estava vestindo apenas uma cueca box.
Ela riu da minha reação e saiu do quarto provavelmente para fazer o café da manhã.
Essa garota é maluquinha. Isso eu já percebi.
Olhei as horas no relógio que se encontrava na escrivaninha ao lado da cama. Puta merda! Onze e meia da manhã. O Chaz vai me matar! Eu tô completamente ferrado, minha vida acabou.
Corri pra sala pra pegar o meu celular e suspirei de alívio ao ver a mensagem do Chaz que dizia que a reunião tinha sido adiada para ás quatro por que ele estava tentando conseguir mais detalhes. Eu estava ansioso pra saber de que caso ele estava falando, o que eu teria que investigar dessa vez e melhor ainda, quem eu teria que investigar.
Ele sempre me deixa com os mais complicados e difíceis de decifrar e se resolver. Enquanto os outros diretores de Investigação Criminal ficam com casos que são solucionados em um mês ele me dá casos de seis meses ou até um ano para serem solucionados no mesmo período de tempo. Por quê? Sei lá, por que ele acredita que eu seja o melhor investigador que o FBI já teve o prazer de contratar. Me orgulho disso, assim como a minha mãe se orgulha. 
 Uma vez solucionei um caso reconhecido mundialmente. A prisão de um dos piores corruptos. Ex-presidente do México, que estava praticando extorsão, fisiologismo e lavagem de dinheiro público – o que incluía grande parte dos Estados Unidos. Desde essa missão bem sucedida Chaz tem dado os casos mais importantes pra mim.
Ás vezes é chato, mas é bom ser reconhecido e respeitado pelo seu trabalho, melhor ainda pelo fato de ser tudo completamente anônimo – o que faz com que você não corra nenhum risco de vida.
 Além de ser o meu chefe Charles Somers é o meu melhor amigo. Nós começamos a fazer faculdade de Direito juntos quando ele foi recrutado para o FBI. Nem mesmo eu podia saber disso, nunca entendi por que ele saiu da faculdade sendo que era o grande sonho dele até que um ano depois eu fui convocado também. A essa altura ele tinha se destacado de uma forma inacreditável e agora era um dos Diretores dessa organização reconhecida e temida mundialmente.
Não foi difícil me encaixar lá já que ele me deu todo um suporte. Foi então que eu terminei com a minha ex-namorada, a Emma. Foi horrível, uma das piores coisas que me já me aconteceu. Mas se tem uma coisa que não combina com FBI é romance.
– Você gosta de panquecas, não é? – perguntou a garota entrando na sala com uma concha na mão – Opa! – ela tampou os olhos descuidosamente fingindo fecha-los.
– Não ligo mais. Parece que você gosta de me ver assim. – sorri pelo nariz, ela riu de volta tirando as mãos dos olhos e eu joguei o celular de volta na escrivaninha voltando pro quarto.
Havia algo naquela garota que me atraia e muito, fora a sua beleza que nem vamos discutir aqui. É como se a cada segundo eu descobrisse algo de diferente nela, o tipo de pessoa que é tão misteriosa e tão – ela – ao mesmo tempo.
Um poço de beleza e encantamento.

Adentrei o banheiro e ao olhar no espelho me assustei com o estado em que o meu cabelo se encontrava. Sou muito chato pra essas coisas de beleza, gosto de andar arrumado o tempo inteiro e naquele momento o meu cabelo parecia um pedaço de Bombril que nunca foi usado.
Abri a torneira e o molhei um pouco, depois passei gel e o desarrumei espalhando os fios. Escovei os dentes, lavei o rosto pra tirar aquela cara de sono e voltei para o quarto deixando a porta do banheiro aberta. Coloquei uma roupa do tipo que costumo usar durante o dia – exceto quando vou trabalhar.
No exato momento em que estava passando perfume senti um cheiro de queimado. Porra! Esqueci que tem uma louca na minha cozinha!
 Sai correndo até lá e me deparei com um fogão cheio de gordura e algumas panquecas no chão aonde também havia uma frigideira.
– Merda! – ela murmurou se abaixando para pegar a panela.
– Deixa que eu faço isso. – me agachei e a ajudei a jogar as panquecas no lixo.
– Eu sou um desastre na cozinha. – confessou ela lavando as mãos com o detergente da pia.
– Não foi nada demais. – menti, hoje era o dia de folgada da Nanny, a empregada.
– Eu vou limpar o chão, droga, desculpa mesmo. – seus dedos se moviam rapidamente, ela estava nervosa.
– Ei, tá tudo bem. – segurei seu braço parando-a por um segundo. – Olha só, vamos comer sucrilhos com leite, é o melhor café da manhã de todos, vai por mim.
– Achei que você não gostava de sucrilhos. – ela se sentou no balcão da cozinha me observando arrumar o nosso “lanche”.
– Por que não? É uma delicia, sabia?
– Sabia. – ela apoiou os cotovelos na bancada e descansou seu queixo em suas pequenas mãos – Eu como quase todos os dias, mas achei que um cara como você não ia querer comer isso.
– Um cara como eu? – questionei colocando o sucrilhos na pequena vasilha de vidro.
– É. – ela me ajudou colocando o leite – Independente.
– Só me mudei da casa da minha mãe, ainda sou um completo inexperiente. Pra você ter noção, eu só almoço comida de verdade quando a Nanny está em casa ou quando minha mãe vem me visitar.
– Poderia oferecer ajuda, mas você já deve ter percebido que eu não levo muito jeito pra coisa. – ela comeu uma colherada cheia de uma vez só me fazendo rir.
– Tá vendo, já temos algo em comum. – guardei o resto do sucrilhos no armário e coloquei o leite na geladeira, depois peguei minha vasilha em cima balcão – Vem, vamos pra sala.
Ela riu e se levantou seguindo atrás de mim, o canto de sua boca estava melado de leite, aquilo era engraçado. Ela se sentou no sofá e apoiou suas pernas na mesinha que ficava no centro da sala. Fala sério, eu fazia a mesma coisa.
 Liguei a tevê e me sentei ao seu lado, ela parecia não comer a anos por que engolia tudo sem nem mastigar direito.
Uma princesa sem modos. Eu gosto disso.
– Você deve estar me achando uma louca né? – seus olhos me fitaram com curiosidade.
– Pouquinho. – respondi rindo – Não é todo dia que eu trago uma garota tão linda e bêbada pra casa.
– Ah é? – ela riu – Aposto também que não é todo dia que te acordam do nada e destroem a sua cozinha.
– Definitivamente.
– Eu vou matar a Stacy. – pigarreou fazendo uma careta – Não acredito que ela me deixou sozinha ontem.
– Eu não entendi o que aconteceu.
– Eu só me lembro que dei a garrafa de vodca pra ela segurar, ai eu comecei a dançar como uma louca e ai do nada ela não estava mais lá, foi então que me dei conta de tudo, uns homens tentaram passar a mão em mim mas eu desci da mesa correndo e sai lá pra fora, acho que foi nesse momento que eu me joguei brutalmente na frente do seu carro.
– Então foi isso? – coloquei a vasilha em cima da mesinha, não estava com fome – E a propósito não era vodca, era tequila.
– Era você, não era? Eu me lembro de ter te visto ainda lá dentro.
– Sim, eu te vi quando estava saindo.
– Nossa! Você me viu daquele jeito?  Deve estar achando que eu sou uma vadia.
– Não, está tudo bem. – garanti me acomodando naquelas almofadas – Mas você ainda não me disse o seu nome...
– Ah, que besteira a minha. Meu nome é Candice, mas pode me chamar de Candy – ela tinha nos lábios o seu melhor sorriso – E o seu?
– Eu sou Justin, Justin Bieber.
– Prazer em conhecê-lo Bieber. – ela reforçou meu sobrenome – Você mora em Jacksonville há muito tempo? Não tem cara de americano.
– Como você adivinhou? – chegou certo momento em que eu não conseguia parar de sorrir, era incrível como ela era adorável – Eu sou canadense.
– Canadá e os seus atributos. – ela tirou suas pernas de cima da mesa e as encolheu abraçando seus joelhos sem desviar os olhos de mim – Mas agora me diz uma coisa, está gostando daqui?
– Moro aqui tem pouco tempo, só um ano e meio.
– Melhor que a vida inteira. – seu tom demonstrava aborrecimento em morar aqui – Legal mesmo seria Califórnia.
– Praias?
– Surfistas, festas loucas e insanas, muitos homens gostosos iguais a você e as melhores bebidas. – ela parecia vislumbrar cada palavra pronunciada por seus lábios rosados.
– Patricinha de Jacksonville querendo curtir a vida adoidada? – dei risada – Eu já tive a sua idade!
– Ah qual é, quantos anos você acha que eu tenho?
– Dezessete? – chutei.
– Nada disso mocinho.
– Dezesseis?
– Que isso! – protestou.
– Não vai me dizer que tem quinze anos?
– Eu tenho dezenove gato. Deveria ter notado pelo meu corpo sexy.
– Uow, dezenove? Dá pra me explicar por que seu pai fica tão irritado quando você sai então?
– É uma longa história, outro dia eu te conto. Posso comer o resto do seu sucrilhos? – seus olhos demonstravam uma fome insaciável.
– Pode comilona. – peguei a vasilha e coloquei em suas mãos.
– Obrigada. – ela esticou as pernas com um sorriso no rosto, o mesmo de uma criança quando ganha uma balinha – Sempre que eu bebo fico com muita fome.
– Engraçado, eu perco totalmente a fome.
– Não temos isso em comum. – ela riu divertida se deliciando daquele sucrilhos – Mas e você, tem quantos anos?
– Só vinte e um, ainda sou um bebê.
– Você só é dois anos mais velho que eu, nós podemos transar sabia?
– O que? – arregalei os olhos.
– Brincadeira, brincadeira. – ela deu um tapinha no meu ombro.
Candice terminou de comer e acho que só não lambeu a vasilha por que eu estava ali. Depois ela se levantou e pegou as duas vasilhas pra levar pra cozinha. Acho que ela lavou por que demorou algum tempo pra que ela voltasse à sala lambendo os dedos que estavam sujos de chocolate.
– Minha marca preferida! – comentou sapeca olhando pras fotos espalhadas pela sala – Sua irmã?
– Não. – disse rindo – É a minha mãe. Por que todo mundo acha que ela é minha irmã?
– Por que ela é muito gata. E essas duas coisinhas lindas, quem são?
– Minha irmãzinha e meu irmão, Jaxon e Jazmyn.
– Engraçado, seu cabelo era tão lisinho...
– É, durante o colegial, mas depois mudei o corte, os garotos invejosos estavam começando a me copiar.
– É mesmo senhor convencido? – ela riu pegando outro porta retrato onde eu estava com meu pai.
– Esse é o Jeremy, é o meu pai.
– Ele tem cara de mal. – ela colocou o porta-retrato de volta na mesinha.
– Não, ele não é mal. Ele é ex-lutador de UFC, mas não é mal não, ele é incrível.
– Você não os vê com frequência?
– Eles moram em Toronto, mas meu pai é separado da minha mãe. De vez em quando minha mãe traz as crianças aqui. Ela os considera como filhos também, ás vezes quando meu pai tem tempo ele vem também. Têm uns quatro meses que eu não vou ao Canadá.
– Por que se mudou pra cá? – ela se sentou novamente no sofá.
– Bom, foi preciso. – respondi naturalmente, existem coisas que ela não pode saber. As vezes eu acabo me esquecendo de que sou um agente do FBI.
– Entendi. E você tem namorada?
– Não, eu não tenho. Você tem namorado?
– Meu irmão espantou todos eles e o último acabou se suicidando. – meus olhos se arregalaram e então ela soltou aquela sua risada gostosa – Brincadeira gatinho! Relaxa você se assusta a toa.
– Que medo de você Candy.
– Caramba, eu tenho que ir pra casa, meu pai deve estar me procurando, minha mãe deve estar maluca e o meu irmão já deve ter chamado a gangue dele pra ver se eu não estou com nenhum vagabundo.
– Vou te levar pra casa – ri do seu desespero – Só vou pegar a chave do carro.
Peguei as chaves e vesti uma jaqueta de couro. Passei mais perfume e depois voltei pra sala.
Candy estava parada perto da porta, tinha desligado a tevê e usava uma de suas mãos para jogar sua franja pro lado. Porra, como ela é sexy!
– Pronto Justin? – ela sorriu largamente, eu estava do outro lado da sala hipnotizado por sua beleza – Justin, tá ai?
– Ah, claro, tô pronto, tô sim. – me dispersei daqueles pensamentos maliciosos e caminhei até a porta, passei meu braço pelo seu ombro enquanto caminhávamos para o elevador.
O Charlie deu uma piscadinha maliciosa e murmurou um ' Tô de olho' baixinho quando passei pela portaria em direção a garagem.
– Uow, nós vamos de Ferrari? – Candy sorriu maravilhada quando eu destravei a porta.
– Óbvio gata!
Entrei no carro.
– Que mal educado, devia ter sido um pouco mais cavalheiro e ter aberto a porta pra mim. – reclamou ela fazendo um beicinho.
– Desculpa, mas a porta já estava espremida na parede, não íamos caber ali.
– Aposto que ia! – seus olhos exalavam o duplo sentido de suas palavras.
– Anda, coloca o cinto.
– O que? – ela estava indignada.
– Acredite, não vai querer andar de carro comigo sem cinto.
– Tá. – ela bufou e fez o que eu pedi.
Dei ré a 80 km por hora e quando freei bruscamente na rua seu corpo foi jogado pra frente sendo segurado pelo cinto de segurança e ela me olhou com um largo sorriso murmurando um grande 'UOW'.
Ri daquilo e sai a 160 km naquela avenida. Ela me disse que morava no Riverwalk que é se eu não me engano o bairro mais luxuoso daquela cidade, isso despertou a minha curiosidade em conhecê-la. Não pelo dinheiro, isso eu tenho de sobra. Mas o porquê de ela estar naquela boate, isso não fazia o menor sentido, não fazia o seu perfil social apesar de mentalmente ela ser quase retardada. Alguns poucos minutos depois ela me mandou parar em frente a uma enorme mansão.
– Tem certeza que é aqui Candice? – perguntei pela terceira alternando meu olhar entre ela e a mansão várias vezes seguidas.
– Eu já disse que tenho. – ela riu abrindo a porta do carro – Obrigada por ter cuidado de mim.
– Não foi nada.
– Olha aqui... – ela abriu o porta-luvas e pegou uma caneta e uma folha de papel onde escreveu alguma coisa – Esse é o meu número. De qualquer forma você sabe aonde me encontrar.
– Ah, claro. – guardei o papel no bolso.
– Até mais então! – ela sorriu. Aquele mesmo sorriso hipnotizante. De repente se aproximou de mim e depositou um beijo molhado e demorado na minha bochecha. Em seguida desceu do carro, fechou a porta e ajeitou o vestido.
Dei partida após vê-la adentrar a grande mansão cercada por seguranças. Talvez eu nunca mais fosse vê-la. Por que um agente como eu não pode se envolver com uma garota assim. Não pode se envolver com garota nenhuma.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

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Capítulo 1 - First Met


Justin Bieber P.O.V
Denver Pub, Jacksonville – Florida
 – Desce mais uma dose de uísque. – pedi com os braços apoiados em cima do balcão. A música era ensurdecedora e aquela gravata slim estava começando a me sufocar. Não estava acostumado com aquele tipo de ambiente, não é sempre que tenho tempo para essas regalias.
Aquela era décima segunda doze e o álcool estava começando a fazer efeito no meu cérebro.
 – Aqui está. – disse a garçonete com um sorriso travesso nos lábios.
 – Obrigado. – retribui o sorriso e tomei em apenas um gole – Quanto é?
 – Sessenta e seis dólares. – isso que dá ir a uma das boates mais caras da Florida. Enfiei a mão no bolso procurando pela minha carteira e levei pelo menos uns trinta segundos para encontrá-la. Peguei ointenta dólares e coloquei na mão da bela moça a minha frente.
 – Pode ficar com o troco. – eu disse, guardando a carteira.
 Ela sorriu em agradecimento e se virou para atender outro cliente, devia estar acostumada com gorjetas muito maiores. Levei algum tempo até arranjar coragem para me levantar daquela cadeira que era quase da altura do balcão. Ao fazer tal ato meus olhos foram completamente voltados para a pista de dança.
Olhos tão azuis quanto o céu exalavam luxúria, cabelos loiros sendo jogados de acordo com os movimentos ousados que seu corpo esbelto fazia da forma mais sexy possível. Todos admiravam a garota sensual que parecia ser novidade por ali. Ela tinha uma garrafa de tequila nas mãos e gargalhava alto ao lado de sua amiga que era quase tão linda quanto ela. As duas dançavam ao som da música e pareciam não se importar com as pessoas ao seu redor, elas queriam provocar e faziam isso muito bem.
Dei mais alguns passos no meio daquela multidão, precisava encontrar a saída daquele lugar antes que morresse de calor. Logo avistei a porta de saída, só que mais uma vez minha atenção foi voltada para a pista de dança após ouvir uns 'urros' vindos de lá. As garotas foram mais além, agora estavam em cima de uma das mesas de Strip, a amiga pegou a garrafa das mãos da loira para que ela pudesse dar o seu show de Pole Dance. Observei-a por alguns segundos quando por obra destino devo dizer, nossos olhares se encontraram. Ela mordeu os lábios com força. Sorri pelo canto da boca e me virei de costas passando pela porta de saída da boate.
 O vento bateu no meu cabelo de forma prazerosa assim que coloquei os pés do lado de fora. Agora eu só precisava encontrar a minha Ferrari 458 Itália branca que estava em algum lugar daquele enorme estacionamento. Dei alguns passos largos tateando cada canto e logo a avistei entre uma Lamborghini e um Volvo. Desde quando tinha 16 anos eu tinha o sonho de comprar uma Ferrari ou uma Lamborghini. Mas depois que você tem mais de cinco carros luxuosos na sua garagem isso perde totalmente a graça.
Abri a porta do lado do passageiro e joguei a minha arma lá dentro após tirá-la da cintura, ficava bem escondida debaixo da minha calça social. Acendi um cigarro da Broadway e dei uma tragada enquanto o vento me refrescava suavemente.
Mas aquele momento de paz foi irritantemente interrompido pelo toque do meu celular que eu havia deixado ali no carro extamente por causa disso. Balancei a cabeça em forma de protesto quando a tela denunciou o nome do Chaz. Rejeitei a ligação mas ele insistiu várias e várias vezes durante cinco minutos. Essa era a minha semana de folga.
A minha noite.
Isso não era nenhum pouco justo. Suspirei e atendi sendo vencido pelo cansaço.
 – Fala Chaz. – minha voz soou ríspida.
– Oi! Desculpa estar te ligando a essa hora mas é que ouve um imprevisto. – ele fez uma pausa como se estivesse fazendo outra coisa enquanto falava comigo – E ai, eu precisei te ligar.
– O que aconteceu? – joguei o cigarro fora.
– Tem uma reunião amanhã ás sete horas, é muito importante.
– Da noite? Porra, justo na minha semana de folga?
– Não, da manhã. – ouvi o barulho de algumas folhas de papel serem passadas. – Vai por mim eu não te ligaria se não fosse realmente necessário.
– Mas cara são quase três horas da manhã e você quer que eu acorde ás sete pra uma merda de reunião quando eu deveria estar dormindo por que eu estou de férias?
– Eu quero que você acorde antes por que sete horas é pra você estar aqui Bieber. – exigiu ele, autoritário.
 – Ainda está na agencia? – não podia perder a paciência com ele.
– Eu nunca durmo meu caro amigo.
– Tá legal, eu vou estar ai as sete. – interrompi a chamada.
 É mais legal quando ele é só o meu melhor amigo. A partir do momento que ele se torna o meu chefe as coisas começam a ficar ruins. Joguei o celular no banco de passageiros e bati a porta que foi travada. Dei a volta e me sentei naquele confortável banco de motorista. Peguei um CD de rap e coloquei pra tocar procurando forças para dar partida.
 Geralmente quando eu bebo as coisas ficam realmente embaraçosas, eu acabo perdendo a noção do tempo. Coloquei a chave de ignição e pisei no acelerador com certa leveza. O carro estava saindo normalmente quando eu ouvi um grito estridente do lado de fora, na frente da Ferrari pra ser mais exato.
Esfreguei os olhos meio assustado e desliguei o carro colocando as chaves no meu bolso. Desci rapidamente meio perdido e confuso. Havia uma garota sentada no chão na frente do carro, ela escondia seu rosto nos joelhos e tinhas os braços em volta de suas pernas. Ela estava chorando como uma criancinha de cinco anos de idade.

 – Você se machucou? – perguntei me agachando ao seu lado – Por que se jogou na frente do meu carro?
– Ele vai me matar. – sussurrou ela com a respiração ofegante.
 – Quem vai te matar? – empurrei seu ombro pra trás para que pudesse ver seu rosto e me surpreendi ao notar que ela era a loira que dançava a poucos minutos com sua amiga. Seu rímel estava borrado por causa das lágrimas mas o seu rosto angelical e hipnotizante permanecia intacto.
– Meu pai! – suas mãos foram levadas até o seu rosto como forma de amenizar aquele choro compulsivo – Se ele souber que eu estou aqui, merda, eu nem sei o que pode acontecer!
– Tá legal, eu vou te levar pra casa. Vem... – a ajudei a se levantar, ela estava mais bêbada que eu, ela se apoiou no meu peito.
– Eu não quero ir pra casa, eu odeio aquela vida. – seus olhos pareciam estar queimando de dor.
– E aquela sua amiga, por que não vai pra casa com ela?
– A Stacy? – suas mãos se aconchegaram no meu peito, ela me lançou um olhar inocente, parecia tão ingênua, é óbvio que estava no lugar errado e na hora errada – Ela é minha prima. Ela já foi embora.
– Quer que eu te leve pra casa? – minhas mãos estavam em sua cintura.
– Meu pai, ele não pode me ver assim. – suplicou oscilando a voz.
 – Tudo bem, vamos fazer assim. Você dorme na minha casa e amanhã de manhã eu te levo, pode ser? – eu sabia que aquilo era completamente insano, mas eu não podia deixar ela ali sozinha. Tem pessoas muito ruins naquele lugar e ela poderia ser vítima daqueles marmanjos nojentos que nós agentes do FBI ainda não conseguimos prender.
 A garota assentiu se acalmando mais um pouco, em passos lentos me aproximei da porta de trás do carro e a coloquei lá dentro. Ela se deitou de conchinha e posicionou os dois braços abaixo de seus seios se acomodando no banco. Mal fechou os olhos e já pegou no sono.
Meu apartamento ficava a mais de uma hora do Pub e o trânsito não ajudava em nada.
O portão do prédio foi aberto pelo controle remoto que eu tinha na mão direita enquanto dirigia para a garagem. Estacionei no lugar de sempre e desci do carro, depois abri a porta do banco de trás e peguei nos braços aquele anjo que parecia tão leve quanto uma folha de papel.
– Parece que o seu presente dormiu antes da hora Sr. Bieber! – disse a voz maliciosa de Charlie, o porteiro do prédio.
– Não pense besteiras Charlie. – indaguei rindo pelo nariz enquanto entrava no elevador.
Ela estava nos meus braços. Meu Deus! Como eu poderia imaginar que aquela mesma garota que dançava naquela pista de dança fosse acabar no meu apartamento? A vida é cheia de surpresas mesmo.
Suspirei quando a porta do elevador se abriu no quinto andar. Caminhei em passos lentos até o quarto número 312 B que ficava de frente para o elevador. Abri a porta com dificuldade e adentrei ao meu tão querido apartamento. Joguei minha arma e meu celular em cima da mesinha da sala e coloquei a garota no sofá-cama branco da sala de estar. Ainda como um bebê, sua respiração estava descompassada. Seu vestido tinha subido para sua cintura deixando a mostra suas belas curvas. O desejo que eu tinha por ela naquele momento era algo que eu teria que controlar. Fui até o meu quarto e peguei um edredom, estava muito frio, cobri seu corpo e logo ela parou de tremer.  
Fiquei ali sentado na beira do sofá admirando-a enquanto ela dormia. Quem era ela? Qual era o nome dela? Quem era sua família? Qual era sua cor preferida? O que ela estava fazendo naquele lugar? Por que ela não queria voltar pra casa? E principalmente, por que ela era tão linda?
Balancei a cabeça deixando brotar um sorriso travesso nos lábios, independente de quem ela fosse eu tinha sorte de tê-la ali comigo. Desde que terminei meu namoro com a Emma há alguns meses atrás, não tenho pensado em outra garota em forma de afeto como estava acontecendo agora.
Puxei o edredom até o seu ombro e por algum motivo dei um beijo demorado em sua bochecha que estava gélida. Ao voltar para o quarto tomei um banho demorado e caí na cama adormecendo rapidamente.